Sigo meu caminho, grato pela vida que tua arte me deu. Arte de ser quem me trouxe mais do que imaginaria, mais do que tive por uma vida inteira, aliás, quem me trouxe mais do que uma vida inteira. As tatuagens na alma são das mais belas, pois a artista era competente, deixou sua poesia estampada em cores vivas. Na beleza de em minutos tornar-se maior do que tantos que em horas tão pouco revelaram, quase nada transformaram. Lembro-me dos versos não ditos, mas vivos em cada olhar, marcaram-me tais momentos, muito mais os de silêncio, onde nada havia a ser dito pois tudo o que havia de acontecer em pleno trânsito se encontrava. Formo hoje plena convicção, sei pouco de mim, graças a ti muito mais do que antes. Graças a ti que ainda traz a luz a inútil busca pelo comodismo de não ser... de não fazer. Sigo grato por estar tão sólido em mim um sentimento de precisar abrir a gaiola, deixar o casal de águias ir. Talvez não voem para o mesmo local, talvez sequer voltem a se encontrar, mas é certo de que onde quer que estiverem, seja no mais alto céu a planar, seja num outro alucinante mergulho a caçar, nunca esquecerão, assim como eu do quanto foi bela e fértil o curto encontro que tiveram.
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Um comentário:
Que nossos caminhos se cruzem novamente, nesta longa e cruel estrada da vida...
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