quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Partes...sempre partes...

Saudade não é palavra, nem sentimento, é uma condenação, um veredicto. "Terás saudades perpetuamente." E lá estará o condenado por uma justa causa, a penar em uma justa pena.
Saudade...
Se tua saudade te faz lembrar, então traz tudo quanto te faz sorrir mas segue teu caminho
Se tua mente te faz ver, então esquece, desconfia e segue teu caminho
Se teu ouvido atende a minha voz que desobedeça o corpo, sê rebelde e mantenha teu caminho
Mas se tua mão encontra a minha esquecerei o meu e aguardarei que tu o teu. Tracemos o nosso num confiante futuro desdenhando completamente do hoje, nutrindo eternamente o ontem e vivendo um constante amanhã.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Besta feliz

Pensei no que escrever... finalmente, meses depois de tantas idéias, tantos assuntos, penso finalmente ter alcançado algo concreto. Concreto... nem pensar, melhor dizer, algo bem pensado, aff sou um eu-imbecil tentando dizer a ninguém que algo de bom me aconteceu, só isso, e direi logo neste meu canal de nudismo oral, pois eis um lugar onde apenas digo, sem compromisso de me esconder ou de me explicar. Enfim, aconteceu, senti-me feliz, não pela bebida, não pelo ambiente, não pelas conversas, não pelo meu ego, sim pelo sentimento. Nem vou chamar de liberdade pois, eu sei que já disse, mas, apesar da bebida estava consciente do que eu fazia com quem e como falava, senti vontades e não as realizei, não fui como um bicho, apenas estava ali, inteiro, ali, em pé ou sentado, dançando ou não, bêbado ou não, ou melhor, quase muito bêbado ou só um pouco, mas estava ali. Inteiro, ali... ao ser pego sorrindo sozinho, fui questionado: "porquê o sorriso?" Respondi: "Nada", e inventei uma história, onde poderia ter traído, lá nada fiz mas, quando deveria não trair é ali que sempre traio, respostas, perguntas, sempre as mais traidoras sempre as mais imbecis, saídas fáceis para um esconderijo que a muito encontrei. Sorri sim, pois estava feliz, muito feliz, repito, não pela liberdade, mas por estar inteiro. Ao responder a alguém: "Eu menti". Percebi o quão maravilhoso era voltar a falar a verdade, apesar dos julgamento (danem-se) estava inteiro. Apenas sabemos quando estamos inteiros quando experimentamos a falta, quando nos obrigam aos "resumos". Senti-me inteiro, voltei a amar, não a alguém mas o "amor" ao sentimento. Antes era uma pessoa quem me fazia inteiro, amei-a então com tudo o que tive, quando estava em seu corpo não era eu .... mas eu todo. O que me diziam ser imoral era a mais pura moralidade era a mais pura demonstração de humanidade era a mais pura satisfação em existir. Por isso e só por isso amei. A agora, o que a vida me cobra? Antes era fácil, "bastava" amar e não ser covarde, amei e fui dos seres viventes o maior dos covardes... hoje, sem um alvo, o sentimento vai buscar outra saída, não quero outro alvo, digo alvo-alguém, quero o sentimento em si... e olha o que é pior, creio que hoje estou certo do que fazer, se fizesse antes, anos atrás seria escorraçado, ok, mas lá no fundo entenderiam, mais cedo ou mais tarde entenderiam, hoje acho que não há quem vá entender... quero ser inteiro.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A nulidade do ego

Passa o tempo e entre os sorrisos e as piadas bate algo de triste, vago... Não é só o fruto da relação do presente-eu mas o que do eu-mundo atua. Não ligo para a falta de clareza essa é a idéia. Nulo, nulidade enquanto sentimento deve ter algo de mortal, cadavérico. É o que chamo (acho que na verdade ouvi isso de alguém) a "morte do eu". Não sonhei a morte, não quis a nulidade, mas é exatamente o que nos atinge quando fazemos o que eu fiz. Quando faço o que faço. Futuro? Devo eu esperar por outro diferente? Devo mudar. Parar meus assassinatos diários e não mais desejar o que quero, mas fazer o que quero. Se querer é poder, no fundo acho que quero me enganar. Como sou convincente... Se não convenço alguém do que sinto, talvez convença a mim mesmo do que não sinto. Ah, vida minha...eras bela e forte... serena mas reluzente. Hoje, sobrou o barulho e falta preenchimento, falta o para quê...

sábado, 21 de novembro de 2009

sei lá...

Amigos não encomendam, apenas instigam, e o que mais aconteceu senão isto? Pura instigação, escreva... sobre qualquer coisa, onde quer que vás.... Portantio, escrevo sobre a inclinação que tenho de buscar o controle do futuro, divagávamos... futuro, passado, presente, tão etéreos, não desnecessários, tão insondáveis. pois bem, é na busca pelo futuro que arraso meu presente, teria então o direito a demolição das bases alheias. "Sim, para salvar-se podes tudo, destruir, agredir, apenas segue teu caminho, cresce. Já sou grande!", é o que digo. "Bobo", responde sem tomar ar. Acostumo hoje com as lamúrias, volto a sonhar meus amanhãs. É o poder do futuro, tudo o que tenho nas mãos. Refém do presente, preso ao passado, apenas ele me resguarda a possibilidade de um novo amanhecer. Óbivio? Mesmo? Refelete então no que fazes e responde novamente. óbivo? deve ser. Se escrevo, não o faço para que me ouçam, há muito perdi tal pretensão. Antes o faço para que me ouça. no singular, sejas atingida pelo silencio da minha voz. pelo vazio da letra. Houve, há muito tempo, um local onde as palavras eram apenas palavras, sem maiores recados ou dizeres. era o lugar da vida simples. onde sim é sim, não é não. hoje, sim, pode ser; não, quem sabe?entrego pois a sorte minha competencia, no desejo de que ela seja mais justa com minh'alma. Levo o desejo de ser parta além das vistas , onde jamais seria alcançado. Levo então, a condenação de nunca viver conforme sonhado. Poesia que surge de lágrimas, esta será sempre bela. Poesia que surge do riso, será apenas dela. Bobo eu? è o processo, o eterno desligar, o eterno retorno, o eterno caminho. Passa o tempo e não vejo o outro lado, pode ser achado? Sabe-se o diabo? Confiei a deus a solução da vida. hoje pedi ao inquilino devolta o imóvel. Quero voltar a minha habitação.... ser denovo companheiro, ser alguma vez dono. É melhor fechar os olhos... nada belo...

Lendo-me surpreendo-os...

Fica agora somente as impressões dos outros sobre os rótulos que outrora abracei. Minha diversão consiste justamente em perceber o quanto erram os que me dissecam, como podem não perceber o simples. Já sou outro, diane do mesmo mundo apresento-me como outro. O risível é que tal façanha é ignorada pelos que me cercam. Pelos mesmos que me cercam. A capacidade de tornar-me outro não se traduz em soberba. Percebam, soberba é a impressão de possuir um poder inexistente, sequer tenho poderes, os finais dos processos me deram apenas imagens. Etéreas e frágeis. Tão sólidas quanto um sopro, mas duradouras. Eternas... Descobri então o sentido de eternidade, mas não a eternidade divina, esta sequer me traduz em algo válido, não para mim. Não sou divino. Pelo contrário, humano no mais íntimo e certo de encarar minha tarefa da humanidade. Cansei-me do divinio, do distante, do eterno. Só me alcançam os frágeis, os humanos, os passageiros. Nisto me defino; sou humano. Por isso fraco, e para além disso, pois em toda a vida humana está inscrita a mediocridade e o poético "para além". Meu caos serve apenas para ordenar um futuro incerto. Tal incerteza é, portanto, a temível epserança da vida. Vida viva, certa de um hoje e um amanhã tais que possam me alegra pela opção correta de ter sido para além das aparências.

sábado, 14 de novembro de 2009

Alguns comentários são mais fortes que seminários

"Anônimo disse...
a vida só não pode exigir que não vivamos...
mas pode exigir
que vivamos na saudade
que vivamos na ausência
que vivamos na esperança
que vivamos buscando
buscando alegrias
buscando dor
dor dos outros pra explicar a nossa
dor nossa pra explicar a dos outros
aumentar a nossa para dar sentido
dar sentido à renúncia
dar sentido à entrega
dar sentido à covardia
dar sentido ao amor
pequenos empreendimentos para ocupar a mente
grandes empreendimentos para dar vazão ao amor incontido
que começa a transbordar
antes que alguém perceba
melhor transformá-lo em sorriso
melhor transformá-lo em gestos
não o gesto primeiro, o gesto desejado
mas gestos disfarçados
disfarçados de amor
disfarçados de compaixão
enquanto internamente alimentamos a esperançade sair à superfície
respirar sem pensar
viver porque se quer
viver porque se ama
viver por quem se ama
viver por amor
e só." Amigo Anônimo...

sábado, 7 de novembro de 2009

Sem sentido pela busca

Vivo a busca do que não sei, aliás, ao retomar as idéias,percebo que vivo sim em busca do que não quero de fato. É a busca pelo intangível, ainda que este tenha nome, endereço... Torno a pensar no meus deuses. Fiz como os antigos, tornei-os parte de mim. Participantes das minhas mazelas, meus deuses deixaram sua santidade e se entregaram ao domínio da carne. Diante deles, não há mais fiéis. Doravante somos todos iguais, deus e homem, deuses e homem. Justamente na finitude das relações encontrei a alegria imensa. Na minha roda de samba morena e anjos fazem par, ambos são um com o pandeiro. Todos sabem que na realidade é a morena quem dá o tom da dança. O anjo é apenas espectador da valsa ritmada. Como vim parar aqui não sei, mas guardo certeza que o caminho apenas se inicia, dia-a-dia, lua-a-lua. A noite vai passar...sinto que está passando..."e apesar de mal tamanho alegro meu coração" e ando "decido pela estrada que ao findar vai dar em nada do que eu pensava encontrar..." (Se eu quiser falar com Deus - Gilberto Gil )
Pergunto-me a cada manhã se quando a loucura vai tomar a minha mente... Das duas uma,ou já tomou a tempos e todos tem razão quando o dizem, ou sou são, tanto que trago o completo peso da sanidade, ter os olhos demasiadamente abertos...