segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Paradoxo...

Dor e prazer, dor em meio ao prazer da vida, prazer de viver.
Enquanto é o tumor da ostra que traz a pérola, sinto meu tumor crescer, crescer e vejo muito pouco de pérola nele. O contrário, sinto que me é caro ter tal tumor. Sinto que já se alastrou pelos órgãos vitais e nada mais posso fazer senão sentir a dor. Viver a dor. Morrer enquanto vivo, morrer para que viva. Parece até meio sem sentido, subjetivo demais certo? Subjetivo, só para quem não sente, não vive.
Eis-me assim. Busco num prazer a cura para uma dor que cresce ainda mais quando lembro que não tenho tal cura. Ela é homeopátca demais...
Choro pela dor, pela cura, por mim, por todos. Choro pela vida. Sentido. Plano. Estrutura. Chegada. Caminhada. Nada faz muito sentido... não hoje... todos parecem apontar para uma mesma direção...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

você...

Enquanto for vida, será tua a minha...
Até que a morte de ti me separe, mas se houver morte, que saibamos o que morreu,
e se não houver modo de reviver, que saibamos dar espaço para uma nova vida.

Mas, enquanto for vida, será tua a minha...
E sendo tua a minha, espero que seja minha a tua, porém, não numa troca barata, quero o sabor de te ter inteira, por entrega e não por obrigação...

e, enquanto for vida, será tua a minha...
E que seja como sempre foi, sem querer... e neste sem querer, continuar querendo com a mais alta vontade, com desejo...

pois sendo minha e tua será Uma vida...
fruto de um encontro maior, pleno, até meio irreal mesmo, imaginário, mas que tem daí sua magia, pois sabe que, apesar da realidade ser bem diferente da imaginação, uma não briga com a outra, apenas se respeitam, como nós, apenas se completam...

eu?

Vida passa entre céu e inferno
Céu, inferno, inferno, céu, já nem sei mais a diferença entre eles. Já chamei de céu o que vei a se tornar inferno e, obviamente o contrário. Tenho a estranha sensação de que negar ambos é, naverdade a maior afirmação de ambos. Não enquanto lugares, sejam geográficos ou metageográficos (se é que isso existe) digo, a vida mesmo, aliás, na vida mesmo. Céu ou inferno? o que existe é a existência. Redundante né, mas ela é assim mesmo, redundante, antagônica. A existência "harmoniosa" entre o anjo/demônio dentro de mim. Isso sim me deixa até certo ponto feliz. Feliz por encarar ambos, faceá-los é descobrir e me redescobrir. É por sol a sombra da negação. Sol que está no céu, olha ele aí denovo. Mas sol também lembra fogo, e olha o inferno aí ó. Já não nego nem a luz, muito menos o calor. Ambos são paradoxalmente benéficos e maléficos. Melhor dizendo, são ambos, intrinsicamente benéficos e maléficos. São minha parte, mais do que isto sou eu. Mas não um eu em português aí sim cabe um Eu, este sou Eu....
LIBERTADOR AFIRMAR ISTO....
SOU EU...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

é isso... e um tanto mais

E havendo tal paixão tomado toda a existencia em mim cabível, ela passa hoje a surgir em movimento para fora, passa a ser maior, vontade em potencia, exigência. Não haverá qualquer anseio maior do que o de ser. E é em dor, a dor da paixão que encontro quem sou. Fora de ti já não há o que ser, existir. Por isso deposito em ti, ou melhor, no que por ti sinto. Nutro, aliás, ele se nutre. Trona-se e torna a mim mero expectador. Hoje já não há mais um "eu", há somente nós. Eu e você. Melhor, o que sinto no eu e você. Dianete deste sentimento passei a esperar.
Lembro com lágrimas nos olhos nossos momentos de alegria, plenitude.
Quando as palavras se tornam insignificantes? É no silêncio da minha voz e no gritar dos teus olhos, clamor do teu corpo. É este lugar, é nesta dimensão que me encontro. Na tua dimensão, outra, diferente. E não só os sentimentos nos guiam, mas os corpos obedecem a voz maior do desejo. E na dança da vida sabemos quais são nossos passo. Nesta bossa, na nossa bossa, somos bailarinos habilidosos. Bailamos sem nos esbarrar, bailamos para nos tocar. Bailamos por amar. Bailamos a vida que insiste em cercear, tomar, fraudar, nos roubar. Mas não sei bem se ela, a vida, se engana de nos tentar distanciar ou se somos nós que teimamos em não obedecê-la. Ou será para simplesmente continuarmos em nossas sombras. Escondidos pelos cantos. Suspirando pelos minutos, talvez pelo medo de que os anos enferreugem tamanha beleza de sentimento....
sinceramente não sei...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

minha dor

Investi na minha dor, cultivei-a no mais íntimo do meu ser. Imaginando que conseguiria controlá-la ser seu dono. Bobo eu, nem percebi o monstro que em mim crescia, este gigante que se torna, a cada dia maior. E cresce no consumo da minha vida. Dor que se alimenta de meus sonhos, desejos, afetos...
E poderia odiá-la por ser dor, mas passei a amar tal idéia. A idéia da dor, do sentir, do por ela vver. Hoje vivo em dor, pela dor. Prazeirosa dor, explendido amor. Amo tal dor que custou a ser indomável mas hoje já não tem mais se medida, sei que dela aprendo...

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

é teu...

Digna de minha vida ninguém é, digno do teu coração não pode-se encontrar quem seja.
Mas, é fato, meu coração é teu e não te dei na espera do teu, apenas te entrego... e é sempre esperança, boba mesmo, de que venha a receber um algo em troca. Não uma devoção, não este algo, é bem menor mesmo, falo de um segundo, ou melhor segundos de você. Para tanto repito, é teu... meu coração é teu

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Uma promessa

A ti, prometo meu dia, o calor do sol se muito meu calor quando for a lua quem a ti te esfriar. E se, de fato for você quem fria estiver e não mais quiser ser aquecida ou pelo sol, ou por mim vou compreender, em meio a revolta hei de compreender. Engraçado, fiz de você bem mais do que simples sentimento. Criei de ti uma imagem deificada, divinizada. Ainda não aprendi que com os deuses não podemos brincar, ou eles nos punem. Enfim, ainda assim fazemos deles deuses, assim como fiz de você deusa de mim. Dona de mim. Por algo mais que seu coração entreguei-me a ti. E agora? De mãos vazias peço, aliás, faço uma prece a ti minha deusa... silenciosa prece, prece serena, simples, profunda e bela, não por ela mas por causa de a quem a entrego. Se vai atender ou não minha deusa, não sei. Se vai ao menos ouvir tal prece, sei menos ainda, é bem típico dos deuses, nos entregamos sempre em esperança, nunca nas certezas. Chamam de fé, prefiro expectativa, soa melhor, menos pedinte, mais humanizante. Crio então minhas expectativas de que no amanhã se reveles pra mim, deusa, minha deusa. E serás servida no meu templo, meu coração, minha vida...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Ao teto

Voa alma, heroína, vai! Para o céu e avante
Já não há mais azul que te limite, mais alto, vai
Não para ninguém, por você mesma, sobe
Encara tuas chagas, eleve-se além delas e toca onde ainda não esteves
E, se no negro teto chegares e nada ali encontar
Volta feliz, realizada, pois não haverá sido em vão
No vazio de alvos é que tua chegada era finita
Seguistes teu caminho
Eu te libero de qualquer chão
Deixo-te no ar subir é contigo por isso contrói e destrói, mas sobe, sobe, sobe

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

de Pai para filho

Filho meu, estes são os desejos de teu pai, escrevoos na esperança que os ouça, pondere acerca de todos e se apegue ao que for de seu agrado.


Viva cada dia - dirão a você; eu, porém, te digo: sinta cada dia, sinta o máximo de amor, o máximo de ódio, sinta o máximo dos máximos sem deixar que estes sentimentos sejam a chegada da tua caminhada mas entenda-os enquanto combustível para continuar caminhando.

Seja você - Alguns dirão. Eu, porém, te digo: Veja você nos outros, quer nas relações próximas ou não nunca extirpe a ninguém os direitos de se tornarem quem quer que estas pessoas queiram se tornar, mas da caminhada alheia um afluente da sua caminhada. Caminhe sempre ao lado, ainda que esteja só. Não busque ser nada, porém torne-se o que quiser. Mas não se canse em voltar a tornar-se.

Abra sua estrada com as próprias mãos. Sem deixar de lado os que trazem as enchadas, os que te ajudam na profundidade do caminho.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

é Grama e não rosa

De rosa só a demora para desabrochar, só a beleza de vislumbrar, de resto só pode ser grama.
Pise, arranque, chute e ela vai crescer denovo, vai retornar, e toma o campo, toma o quintal, toma a vida. Rosa enfeita, embeleza, mas só ali onde ela se encontra, naquele ponto; grama só é bela quando invade, e se torna a dona do campo, acaba sendo o sinal da vida, abundante...
Por isso só pode ser grama, viva, grande e bela. Aliás grama não, gramas, muitas grama, a imgem pode não parecer das mais belas, porém são as gramas que testemunham os momentos felizes da vida, sejam esportivos ou afetivos, é ali, na grama que nos fazemos felizes. E é sempre assim que nem grama, verde e forte. E ainda que seja pisada renascerá, ainda que aprarentemente arranquem sua raiz, basta um único pedacinho para que ela se torne, novamente a dona do campo, a dona da vida, a dona de tudo e crescerá pelos poros, pela pela, por tudo que há em mim há de ter sempre... como grama...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

silêncio, é você...

Te busco quando fecho os olhos, te encontro quando falta o ar...
E quando você não está que mais te encontro, e na tua falta é o teu nome que sempre impresso fica na mente, e terá teu rosto aqui junto a mim maior lugar.
Enfim, já não há mais valor para tua presença, ela simplesmente é.... e pelo que parece, ainda será, muito, durante muito....
Já nem desejo tua posse, já clamo por segundos... tempo, ainda que pouco...
Os dias sem ti não são sem dor, marcados pela teu silêncio, talhados sem tua voz, e ainda assim satisfaço-me, pois se é nesta ausência que mais te encontro, então, ainda que ela venha, serei teu, lá ou não serei teu, e em teu silêncio, em tua ausência serás minha, sempre...

sábado, 19 de julho de 2008

Temor do desconhecido

Não temo o desconhecido, temo o que é potencialmente descontrolável, o que ameaça a ordem, o que é anti-estético e nos põe dúvida em relação a realidade conforme apresentada. Por isso tento controlar emoções, sentimentos, certo de que eles podem, num segundo, por tudo a perder. Esta, talvez, seja a razão para não arriscar, investir, é o medo da perda, ser derrotado, e culpado viver numa eterna resignação. Quem sabe este não seja o caminho para a inércia, manutenção simples da vida, tendo aí até mesmo certo "prazer" no que é imóvel, ou melhor, no que é constante, no que tem movimento constante. Este é gosto pelo dessabor, o gosto pelo desgosto .

sábado, 12 de julho de 2008

Anda logo

Segue o tempo, calmo, sereno. Paciência que me falta, preciosismo, por que não voar? Por que não ser veloz corredor, batendo recordes, transpondo limites? Anda, corre, apressa teus passos.

Faltou você

Ontem, vi teu cheiro, e ele nem ligou para mim, como se fosse um desconhecido passou e não me deu um "oi". É aí que a dor vem, fechei os olhos para te ver. Estiquei a mão para teu cheiro, faltaram seus carinhos me trazendo para perto. Faltou você dizendo que me quer. Faltou tua pele quente. Faltou você. Desgraçado mundo que tenta te roubar, seja você, seja o que em você me atrai. Ninguém pode usar teu cheiro, ninguém pode querer ter algo de você. Tortura... faltou você.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Vai tempo...

Minuto passa e dói, passa, corrói. Destrói o que o coração teima em se apegar. No ímpeto de não largar fico apenas mais e mais frio, o pior dos hipócritas, convenço-me das possibilidades sem nunca a elas me entregar.
Mil bjos... ou um apenas, ao menos um segundo contigo... e muda...tudo muda.

Mais devaneios

Ela me toma a alma e, em resposta, a tomo e tomo...

terça-feira, 1 de julho de 2008

sem sentido

você é vida, você é paz,
você é descanso, você é o que traz,
e me faz o que nada pode
inda que seja a morte ou a sorte
ao teu lado tudo me apraz

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Café com Menta

A vida tem dois sabores, é café e menta. Café para estimular, e menta para dar sabor. E poderia ser diferente mas prefiro hoje assim, é deste jeito que a vida anda se traduzindo. Café-estímulo, vontade, desejo, o ir em frente, caminhar, transpor, sobrepor, repor; menta-sabor, gosto, prazer, papilas, cheiro, pele, sentidos.


A todo momento momento somos impelidos pela vida a um movimento duplo, paradoxal, somos carregados por um pensar de que, para vivermos, precisamos a todo momento pesar entre viver e não viver. E viver aqui é descobrir-se como amante da vida, peregrino, caminhante, não há possibilidade de real vida enquanto no caminho estiver sentado à margem. É preciso tomar o rumo da estrada principal, ao longo dela ultrapassar os obstáculos e, na vontade da cafeína, prosseguir. O café nos desperta da não-vida, do estado vegetativo, deste deixar a vida passar. Vegetando nas expectativas do "ideal de vida" dos outros. Como se em fórmulas matemáticas estivessem os segredos de uma vida. Nos tratam como dementes, imbecis incapazes, daí o não-viver, ou o meio viver, pode-se até viver, mas, peraí "daí você não passa!". O café nos entrega força para a descoberta do real, e, no real, nos encaminha para a busca da realidade que nos apraz. Nos leva para além desta satisfação superficial e hipócrita de propaganda de cigarro. Ok, estamos já cheios de vontade, mudança para o novo, mas, e o gosto? O sabor? A poesia?
É a menta e o seu poder transformador, gosto que abre o apetite, cheiro que desentope vias nazais para que o ar da vida entre, tomamos o fôlego é na menta. Se sem café não vivemos, sem menta não passamos que seres mecânicos, prontos a uma revolução, mas indiferentes aos sentimentos, ao gosto pela vida. Mais que gostar da vida, é preciso gozar com a vida. Não uma vida vazia simples, mas uma história pela qual tenhamos o prazer de contar. Creio no aqui, hoje, agora, momento para degustar o que há para provar. O gosto pela vida nos direciona a um amanhã esperançoso e um hoje delicioso. Quando as amarguras vem, um jiló no meio do caminho, nos preparamos entam para os tascar as folhas de menta que acumulamos nos bolsos. Há de se vencer as amarguras da vida pondo-lhes um pouco do sabor que temos acumulado. As mentas, os prazeres, o sabor serve também para as horas ruins. Quando sair para o mundo é doloroso, é necessário esfregar todo o estoque de menta pelo corpo e fazer com que o mundo se incomode com tal cheiro, tal sabor.
Não há porque não saborear o que há de mais gostoso, com o café vivemos, com a menta nos apaixonamos pela vida. Gozar da vida é um movimento de vontade mais prazer. Só menta e somos depressivos sonhadores, só café e seremos mecanicos fazedores, transformadores. Um pouco dos dois... e não há limites para esta vida.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dona de mim

Seduz-me com suas imagens, usa-me como capacho de teus desejos, quereres, com feitiço erótico torna tua minha mão, meus braços, boca, mente.

Imagino-te meretriz ordinária, linda, sedutora, mas satânicamente bela. tentadoramente sagaz, cada movimento teu torna-me mais escravo. Anestesia, faz criar, conceber, e é por isso que te imagino mulher madura, deusa confiante, imagino teu ventre gerador, tua mente influênciadora, manipuladora, comandante, absoluta. Clamo que me uses para belprazer e serei seu escravo.
Peço que visites meu quarto na madrugada. Invada-me com o sol da manhã, alegre-me ao luar, ou sei lá, quando quiseres, onde quiseres... e serei teu.
Escravo do prazer, sadomazoquista. Desejo tal dor, ser usado, transtornado, impelido pela tua voz, é o que desejo...

Vem que teu amante te espera, quero voar contigo, repousar no teu dorso.
Sopra no meu ouvido, faz-me arrepiar, gozar tal momento, receber tua dádiva.

Pobre dos que a ti não buscam, felizes os que não te querem. Eles nunca saberão o que é te ter. Feliz aquele que não tem falta, pois a ti nunca provou.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

palavras...

tão soberbas, elas que pensam poder codificar sentimentos, sensações. Ignorantes os que pensam poder dizer... podem, no máximo, intuir, intuir sentimento, e aprisioná-los nestes códigos, traços desenvolvidos para imprimir o que a boca fala, o que o cérebro cria, seria o falar poético mais puro? Seria o não-dizer o segredo para o bem-expressar? Quem há de saber?

A dor de ir

Vai alma, corre para longe, num lugar onde não te encontrem, onde possas ser imortal em teus sonhos e pesadelos
Voa alma, para o céu negro e cinzento, enfrenta as nuvens e os raios, do outro lado há de haver um Outro Azul, larga este cinza, não te contentes com esta eternidade, busque outra, sempre outra realidade...