Há muito tempo venho sonhando com o que é fácil, com um universo que conspira ao meu favor, mas hoje, não apenas não creio em tal esperança como espero apenas contar com minha enxada para abrir meu próprio caminho. É claro que diante de muitos fatos percebo que a vida e seus mistérios atuam. A favor ou contra? Nós decidimos. Por isso, eis aqui minha fraqueza, entender o que a vida fez, tomar a enxada nas mãos mas não conseguir terminar de trilhar um caminho que vinha seguindo. Esta é minha ferida aberta... sinto hoje até estar numa nova estrada, passo a passo, sem muita pretensão de saber onde exatamente vou. Resigno-me diante de uma vida tão bela, mas igualmente cruel. Ela nos apresenta as possibilidades diante das quais seguiram nossos juízos: "Aqui vamos, aqui ficamos". Não peço uma nova chance para a vida, sigo apenas atento a ela, atento a mim mesmo, para que as respostas sejam outras e a ennchada não tema abrir os novos rumos que hão de se seguir.
terça-feira, 19 de maio de 2009
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Gratidão pelo amanhã
Sigo meu caminho, grato pela vida que tua arte me deu. Arte de ser quem me trouxe mais do que imaginaria, mais do que tive por uma vida inteira, aliás, quem me trouxe mais do que uma vida inteira. As tatuagens na alma são das mais belas, pois a artista era competente, deixou sua poesia estampada em cores vivas. Na beleza de em minutos tornar-se maior do que tantos que em horas tão pouco revelaram, quase nada transformaram. Lembro-me dos versos não ditos, mas vivos em cada olhar, marcaram-me tais momentos, muito mais os de silêncio, onde nada havia a ser dito pois tudo o que havia de acontecer em pleno trânsito se encontrava. Formo hoje plena convicção, sei pouco de mim, graças a ti muito mais do que antes. Graças a ti que ainda traz a luz a inútil busca pelo comodismo de não ser... de não fazer. Sigo grato por estar tão sólido em mim um sentimento de precisar abrir a gaiola, deixar o casal de águias ir. Talvez não voem para o mesmo local, talvez sequer voltem a se encontrar, mas é certo de que onde quer que estiverem, seja no mais alto céu a planar, seja num outro alucinante mergulho a caçar, nunca esquecerão, assim como eu do quanto foi bela e fértil o curto encontro que tiveram.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Enfim só...
Sob olhos, risos e falas, sempre só. Entre vozes, sons e alegrias sigo só. Escolha minha, pode ser, consciência plena que são poucas pessoas que me tocam. Solidão renegada até o fim de um homem risonho, alegre sem fim. Desespero de uma alma sedenta por iguais, angústia pelo afastamento que torna-se necessário, irremediável... mas bem no fim, diante da escuridão maior sinto que há de vir uma luz, nem que seja de vaga-lume, frágil e raro, que de tão belo fenomeno há de marcar novamente a escuridão da noite, minha noite. Longa e fria, sonolenta. Ah como eram belos meus dias, sorridentes, ainda que não tão frequentes, como era lindo o sol que de tempos em tempos contemplava em intimidade. Nem tento esquecer-te sol, apenas sonho em te encontrar dia destes quando voltar a distraidamente não procurar por nada. Pois bem sei que é na ausencia que te escondes. Quando a resignação perder espaço, quem sabe amanhã, hei de vê-lo novamente em mim...
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