Volto a produção quando volto a receber da vida o improcessável, apenas quando a alma se reenche de dor e rancor contra ela mesma, quando as lágrimas teimam em ser detidas e as palavras insistem em se tornarem vazias. Quando o único refúgio é a imensidão deste anonimato, este é o meu afogo, é aqui que perco um pouco mais de mim. Antes acreditava ser o oposto, aqui ncontrava-me entre o desejo e o mundo, o ódio e o amor. Hoje me restou apenas o silêncio da vida. Não há peso do que sai de mim. Só morte, e com certeza não há maior símbolo para a morte do que a solidão. O escuro do não ser. Enquanto deixo ser negado pelo mundo, afirmar-me aqui é ressaltar o meu silêncio. Ouçam, eu digo, não digo nada! Solidão não é a distância geométrica que as outras pessoas mantem de você. É a superficialidade das relações que você desenvolve com quem te cerca.
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