sexta-feira, 27 de junho de 2008

Café com Menta

A vida tem dois sabores, é café e menta. Café para estimular, e menta para dar sabor. E poderia ser diferente mas prefiro hoje assim, é deste jeito que a vida anda se traduzindo. Café-estímulo, vontade, desejo, o ir em frente, caminhar, transpor, sobrepor, repor; menta-sabor, gosto, prazer, papilas, cheiro, pele, sentidos.


A todo momento momento somos impelidos pela vida a um movimento duplo, paradoxal, somos carregados por um pensar de que, para vivermos, precisamos a todo momento pesar entre viver e não viver. E viver aqui é descobrir-se como amante da vida, peregrino, caminhante, não há possibilidade de real vida enquanto no caminho estiver sentado à margem. É preciso tomar o rumo da estrada principal, ao longo dela ultrapassar os obstáculos e, na vontade da cafeína, prosseguir. O café nos desperta da não-vida, do estado vegetativo, deste deixar a vida passar. Vegetando nas expectativas do "ideal de vida" dos outros. Como se em fórmulas matemáticas estivessem os segredos de uma vida. Nos tratam como dementes, imbecis incapazes, daí o não-viver, ou o meio viver, pode-se até viver, mas, peraí "daí você não passa!". O café nos entrega força para a descoberta do real, e, no real, nos encaminha para a busca da realidade que nos apraz. Nos leva para além desta satisfação superficial e hipócrita de propaganda de cigarro. Ok, estamos já cheios de vontade, mudança para o novo, mas, e o gosto? O sabor? A poesia?
É a menta e o seu poder transformador, gosto que abre o apetite, cheiro que desentope vias nazais para que o ar da vida entre, tomamos o fôlego é na menta. Se sem café não vivemos, sem menta não passamos que seres mecânicos, prontos a uma revolução, mas indiferentes aos sentimentos, ao gosto pela vida. Mais que gostar da vida, é preciso gozar com a vida. Não uma vida vazia simples, mas uma história pela qual tenhamos o prazer de contar. Creio no aqui, hoje, agora, momento para degustar o que há para provar. O gosto pela vida nos direciona a um amanhã esperançoso e um hoje delicioso. Quando as amarguras vem, um jiló no meio do caminho, nos preparamos entam para os tascar as folhas de menta que acumulamos nos bolsos. Há de se vencer as amarguras da vida pondo-lhes um pouco do sabor que temos acumulado. As mentas, os prazeres, o sabor serve também para as horas ruins. Quando sair para o mundo é doloroso, é necessário esfregar todo o estoque de menta pelo corpo e fazer com que o mundo se incomode com tal cheiro, tal sabor.
Não há porque não saborear o que há de mais gostoso, com o café vivemos, com a menta nos apaixonamos pela vida. Gozar da vida é um movimento de vontade mais prazer. Só menta e somos depressivos sonhadores, só café e seremos mecanicos fazedores, transformadores. Um pouco dos dois... e não há limites para esta vida.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dona de mim

Seduz-me com suas imagens, usa-me como capacho de teus desejos, quereres, com feitiço erótico torna tua minha mão, meus braços, boca, mente.

Imagino-te meretriz ordinária, linda, sedutora, mas satânicamente bela. tentadoramente sagaz, cada movimento teu torna-me mais escravo. Anestesia, faz criar, conceber, e é por isso que te imagino mulher madura, deusa confiante, imagino teu ventre gerador, tua mente influênciadora, manipuladora, comandante, absoluta. Clamo que me uses para belprazer e serei seu escravo.
Peço que visites meu quarto na madrugada. Invada-me com o sol da manhã, alegre-me ao luar, ou sei lá, quando quiseres, onde quiseres... e serei teu.
Escravo do prazer, sadomazoquista. Desejo tal dor, ser usado, transtornado, impelido pela tua voz, é o que desejo...

Vem que teu amante te espera, quero voar contigo, repousar no teu dorso.
Sopra no meu ouvido, faz-me arrepiar, gozar tal momento, receber tua dádiva.

Pobre dos que a ti não buscam, felizes os que não te querem. Eles nunca saberão o que é te ter. Feliz aquele que não tem falta, pois a ti nunca provou.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

palavras...

tão soberbas, elas que pensam poder codificar sentimentos, sensações. Ignorantes os que pensam poder dizer... podem, no máximo, intuir, intuir sentimento, e aprisioná-los nestes códigos, traços desenvolvidos para imprimir o que a boca fala, o que o cérebro cria, seria o falar poético mais puro? Seria o não-dizer o segredo para o bem-expressar? Quem há de saber?

A dor de ir

Vai alma, corre para longe, num lugar onde não te encontrem, onde possas ser imortal em teus sonhos e pesadelos
Voa alma, para o céu negro e cinzento, enfrenta as nuvens e os raios, do outro lado há de haver um Outro Azul, larga este cinza, não te contentes com esta eternidade, busque outra, sempre outra realidade...