E havendo tal paixão tomado toda a existencia em mim cabível, ela passa hoje a surgir em movimento para fora, passa a ser maior, vontade em potencia, exigência. Não haverá qualquer anseio maior do que o de ser. E é em dor, a dor da paixão que encontro quem sou. Fora de ti já não há o que ser, existir. Por isso deposito em ti, ou melhor, no que por ti sinto. Nutro, aliás, ele se nutre. Trona-se e torna a mim mero expectador. Hoje já não há mais um "eu", há somente nós. Eu e você. Melhor, o que sinto no eu e você. Dianete deste sentimento passei a esperar.
Lembro com lágrimas nos olhos nossos momentos de alegria, plenitude.Quando as palavras se tornam insignificantes? É no silêncio da minha voz e no gritar dos teus olhos, clamor do teu corpo. É este lugar, é nesta dimensão que me encontro. Na tua dimensão, outra, diferente. E não só os sentimentos nos guiam, mas os corpos obedecem a voz maior do desejo. E na dança da vida sabemos quais são nossos passo. Nesta bossa, na nossa bossa, somos bailarinos habilidosos. Bailamos sem nos esbarrar, bailamos para nos tocar. Bailamos por amar. Bailamos a vida que insiste em cercear, tomar, fraudar, nos roubar. Mas não sei bem se ela, a vida, se engana de nos tentar distanciar ou se somos nós que teimamos em não obedecê-la. Ou será para simplesmente continuarmos em nossas sombras. Escondidos pelos cantos. Suspirando pelos minutos, talvez pelo medo de que os anos enferreugem tamanha beleza de sentimento....
sinceramente não sei...
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